

“E me pergunto porque não podemos ser perfeitos. Me perguntou o porque de tudo, porque pudestes ser quem não é enquanto quer ser quem você é. Porque gaguejastes sobre mim, ou eu mesma gaguejastes sobre você. Porque minhas mãos suam enquanto lhe vejo, porque minhas pernar perdem o controle enquanto eu ouço a tua voz. Porque o teu sorriso faz efeito monótono sobre mim, e porque tanto poder.Para que parecer um super-herói enquanto só parece um idiota ambulante. Lembro-me de tudo e lamento que não pode ser eterno. Questiono as memórias que andam de lá pra cá na minha mente. Observo os vazios presentes no meu redor. Está faltando alguém, que tem nome, sobrenome e uma história comigo. Te desejo na medida do silêncio enquanto lágrimas escorrem pela minha face. Repito para mim que é melhor assim. Não funciona. Imploro-te para voltar. Pra não me deixar sozinha. Pra cuidar de mim. Tem que ser você. Só você, entende. Não quero que vá á lugar algum, até porque não existe mais lugar algum. As pessoas dizem adeus, enquanto eu lhe olho e digo oi, um oi sem adeus e um oi com segredos estúpidos que guardo só para mim. Quando eu lhe deixei essa manhã, eu não me encontrei pelo resto do dia. Andava normalmente pelas ruas, tão obscuras e frias, passava perto de pessoas que não eram nada para mim, de cabeça baixa e braços encolhidos. Eu estava abraçada comigo mesma, tentava lhe sentir, e eu sentia. Avistava garotas felizes e rindo, falando sobre garotos, enquanto eu, ali, parada logo no frio, sem saber o que fazer, ouvia teu nome ecoar na minha mente. Recorri ao tempo que era só tua. Lembrei das promessas. Das vezes em que disse que nunca iria me abandonar. E naquele momento… meu corpo estava desprotegido e meu rosto pálido. Queria somente uma coisa. Uma coisa que nunca poderia ser minha novamente. Você. O ar que eu respirara não era mais o mesmo, as ruas em que eu andara não era mais ruas com o calor do verão, ou as flores da primavera, não era mais coloridas e felizes. Eram apenas ruas, ruas, monótonas e sem sentido algum, ruas com poderes que me levavam a tristeza. Não aguentava mais, já bastava eu sem você.”
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